terça-feira, 5 de maio de 2020

Aldir Blanc



Ontem, logo cedo, li a notícia sobre o falecimento do psiquiatra, escritor e compositor Aldir Blanc. Confesso que imediata e vergonhosamente, tive que perguntar a mim mesma: 'quem é mesmo'? Não precisei de muito tempo para (re)descobrir: logo veio a letra de "O Bêbado e a Equilibrista", tão perfeita e tão bem lembrada nos tempos em que vivemos. Logo em seguida, "Me Dá a Penúltima", "Mãos de Aventureiro", "Velhas Ruas"...E acabei parando em "O Mestre dos Mares", feita em parceria com João Bôsco, em homenagem a João Cândido, líder de marinheiros na Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910. De repente, lembrei dos livros de História de minha infância e adolescência e da falta de informação encontrada em demais registros textuais históricos e percebo a importância da música na documentação de fatos vistos como 'incômodos' (como é o caso de "O Bêbado e a Equilibrista", que de maneira tão bela consegue incutir esperança no alcance da anistia enquanto narra as dores causadas pela ditadura militar na década de 60).

João Cândido era negro e pobre, filho de ex-escravos. Entrou para a Marinha em 1895 e, em 1905, tomou conhecimento da revolta da tripulação do Encouraçado Potemkin, navio russo, por meio da qual se pedia melhores condições de trabalho e alimentação. Nosso "Mestre dos Mares" era um dentre tantos outros negros e mulatos alistados na Marinha brasileira, os quais mesmo anos após a libertação dos escravos no país, ainda recebiam chibatadas e outros castigos físicos como punição por seus erros, bem como baixos soldos e péssima alimentação.

Se pensarmos no tanto que a informação a respeito ainda é insuficiente, até por poder despertar ideias que não interessam a maiorias, cumpre parabenizar o papel dos compositores e dos artistas populares, que com todo lirismo tocam sentimentos e corações enquanto com beleza vão transmitindo oralmente uma história que não quer calar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário